domingo, 1 de março de 2009

Carvão

“Todo es hermoso y constante,
Todo es música y razón,
Y todo, como el diamante,
Antes que luz es carbón”
José Martí


Peguei um pedaço de carvão
E quebrei-o em três.

Com o primeiro pedaço
Fiz um belo diamante
Que refletia a luz da lua
Em um majestoso arco-íris.

O segundo queimei até que
Só restasse a brasa,
Mais macia que o veludo e que
Se dispersa no vento levando
Os meus sonhos.

E com o último pedaço
Eu risquei minha parede
E escrevi um poema
De mais pura inocência.

Mas eu sabia que não poderia
Guardar os três.

O primeiro era duro e frio
E seu brilho me aumentava
A ganância, ofuscando
Minha visão do mundo.

O segundo se desmanchava
Em meus dedos e me dava
Uma falsa sensação de prazer.

Peguei, então, o último pedaço
E deixei-o no chão para que quem por ali passasse
Também o usasse para escrever
Um poema sincero.

Um comentário:

  1. Artur, adorei seu blog. Suas poesias são muito profundas. Parabéns, vc é um artista singular.
    Carla

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