sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Vou-me embora pra Brasília

Em homenagem a Manuel Bandeira

Vou-me embora pra Brasília
Lá sou amigo do Presidente
Lá tenho o carro que quero
E um cargo de gerente.

Em Brasília tem tudo
É outra civilização
Tem um processo parado
Que impede a moralização
Tem chuveiro automático.
Tem dinheiro à vontade.
Tem secretárias bonitas
Para a gente contratar.

E quando estiver mais pobre
Mais pobre de não ter jeito
Quando de noite me der
Vontade de viajar
Lá sou amigo do Presidente
Terei o carro que quero
E um cargo de gerente.
Vou-me embora pra Brasília.

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Idade

Se eu fosse velho,
Velho de muitos anos
E tivesse vivido tanto
Que me chamassem sábio,
Minha barba de prata
E os meus olhos fundos
Seriam apenas gotas
No oceano profundo
Da minha alma.

E com outros olhos
Eu veria o mundo.
Com meus dedos trêmulos
Tocaria a grama molhada
E sentiria o seu cheiro.
Ouviria o chiar do vento
E eu seria mais do que isso.
Não seria mais velho,
Porque seria algo que nem o tempo
É capaz de definir.

Neoconcretismo

Poesia concreta
É um grafite
No muro da biblioteca