"Infinitos espíritos dispersos,
Inefáveis, edênicos, aéreos,
Inefáveis, edênicos, aéreos,
Fecundai o Mistério destes versos
Com a chama ideal de todos os mistérios"
Cruz e Sousa
Cruz e Sousa
Vejo no alto a fumaça,
Que se espalha fraca...
De um cinza faiscante,
Faz malabarismos com meus olhos.
Expande-se fabulosamente
E se fecha imponente.
Fortalece-se de toda a luz do dia,
De toda a alegria e fantasia.
Meu corpo treme de frio
E me sinto sufocar.
No fundo da alma sinto uma fúria
Quando ouço uma fraca criança chorar.
E por um momento a encontro
E de súbito tudo se desfaz.
Dissolvo-me no vento
E me perco no tempo
— opaco, simples, estátua.

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